sexta-feira, 3 de fevereiro de 2017

Gentileza gera gentileza: a arte urbana que reduz desigualdades

Oi gente! Tudo bem?!

Hoje vou escrever sobre o grafite e sua contribuição para reduzir as desigualdades sociais.  

No dia 22/01/17 (domingo) participei de um curso em BH, o “Pedalando pelos muros”, organizado pela equipe de uma galeria de arte chamada Quarto Amado. A proposta do curso era percorrer 14 km da cidade em cima de uma bike para conhecer uma parte da arte urbana existente aqui.

Artista Amoni, local: Praça da Estação, próximo ao viaduto Santa Tereza
 (Fonte:arquivo pessoal)

Painel pintado por diversos artistas, Local: Floresta (Fonte:arquivo pessoal)

Fui conferir de perto a história e o sentido do grafite em BH por vários motivos: uma amiga querida me convidou, por amar arte, adorar bike, e atender no consultório adolescentes e jovens (e conhecer esse universo me aproxima mais do mundo deles), então, bora lá!

Ao observar os grafites pude perceber um pouco do que ali está expresso, o trabalho realizado demonstra o estilo de cada artista, suas denúncias, manifestações, olhares. A artista Criola é um exemplo disso, uma jovem que retrata em seus desenhos o gênero e a raça e ao destacar a mulher negra ela faz uma discussão social por meio do grafite quanto a inserção dessa mulher no mundo, qual lugar é ocupado pelas mulheres negras na sociedade?, e a partir daí surgem várias outras questões que perpassam o tema.


Trabalho realizado pela artista Criola (Fonte: arquivo pessoal)

Outra imagem marcante está ao lado do “Espaço Comum Luiz Estrela” que é um antigo hospital da polícia militar e encontra-se abandonado, ele é vizinho do Cepai (Centro Psíquico da Infância e Adolescência/Fhemig) no bairro Santa Efigênia, e foi foco de várias manifestações populares que desejam transformá-lo em um centro cultural


Espaço Comum Luiz Estrela, fotos do ante e depois (Fonte: imagens google)

O nome Luiz Estrela vem de uma homenagem a um morador de rua que vivia na região, Luiz era dado a encenações teatrais e outras expressões artísticas, ele era uma 'estrela' conhecida por ali, apresentava um quadro de doença mental e veio a falecer. 

Abaixo, temos a imagem retratada no portão do Espaço, ela inspirou a capa do CD “Camaleão Borboleta” da banda mineira Graveola (para quem quer conhecer mais sobre a banda, olha aí a página deles: http://graveola.com.br/camaleao/).  


 
Grafite no portão do “Espaço Comum Luiz Estrela” (Fonte:arquivo pessoal)

A arte urbana nos muros é uma forma de expressão da subjetividade humana, nela há manifestações e denúncias, como o trabalho da artista Magrela em parceria com Thiago Alvim e Priscila Amoni, no qual faz alusão à tragédia de Mariana que acabou com vidas e toda a história de uma população.

A mulher (a esq.) tem em sua cabeça um barco, sua cor marrom (cor de terra)  insinua a lama que inundou Bento Rodrigues (tragédia de Mariana). Grafite de Magrela, Thiago A. e Priscila A. (Fonte: site Quarto Amado)


Em um momento no qual São Paulo teve uma onda de tinta cinza tomando conta da cidade e vários trabalhos foram apagados (inclusive o maior painel a céu aberto da América Latina, que foi pintado por mais de 200 artistas), a prefeitura de Belo Horizonte decide fomentar um projeto (similar ao existente na gestão do prefeito anterior), no qual incentivará a produção de grafite em painéis espalhados pela cidade, o nome será “profeta gentileza”. Esse é um meio de estimular os artistas locais e incentivar a difusão dessa arte urbana.
Vide matérias:



 Tirinha do "Armandinho",  os grafites apagados em Sampa!
(Fonte:https://www.facebook.com/tirasarmandinho/)

O grafite é um recurso artístico muito rico (como vários outros, a música, a dança) e extremamente atrativo para jovens. Ele serve como um meio de dar voz as periferias, colocando para fora sentimentos e ideias. Além disso, a arte urbana (como os duelos de MCs) faz com que esses jovens apropriem-se da cidade, conhecendo novos espaços e saindo de seus territórios de moradia.

O rosto de meninos pintados de palhaço do artista
Nilo Zack, estão espalhados pela cidade e viraram
inspiração para uma coleção do
Ronaldo Fraga
(a arte das ruas nas passarelas)
Fonte: imagens google.


É importante compreendermos que a arte não é somente aquilo que conhecemos, várias são as formas de expressão artística. Criamos uma grande barreira quando olhamos para o mundo do outro, e por não fazer sentido, nos fechamos as diversas realidades. Nesse ponto, a antropologia tem muito a contribuir, ela faz com que o pesquisador “adentre à tribo” e compreenda esse outro mundo, eis uma forma gentil de buscar reduzir as desigualdades.

Quem sabe já é hora de fazermos o mesmo? Que possamos nos abrir ao mundo do outro, pois, “gentileza gera gentileza”!

Abraços.   
 

Para mais informações sobre esse curso, acessem o site do Quarto Amado: http://www.quartoamado.com/pedalando/#curso

Obs.: esse post não seria possível sem a contribuição das queridas Taymerê Fonseca e Maíra Bittencourt, obrigada pela parceria. 

4 comentários:

  1. Maravilha, Maíra!!! Trabalho excelente, informativo e de muita sensibilidade. Parabéns! Grande abraço.

    ResponderExcluir
  2. Oi Serginho!!! Que bom que gostou :) Outro abraço!!!

    ResponderExcluir
  3. Interessante este seu post, que serve para nos chamar a atenção de como podemos explorar um outro lado, que muitas vezes nem paramos para olhar...
    Podemos usufruir mto mais da nossa cidade e prestar mais atenção aos pequenos detalhes que nos dizem tanto né!!
    Bjss

    ResponderExcluir
  4. Oi, Mônica! Verdade, pequenas coisas podem estar repletas de significado. Beijos!

    ResponderExcluir