Oi gente! Tudo bem?!
Hoje vou escrever sobre o grafite
e sua contribuição para reduzir as desigualdades sociais.
No dia 22/01/17 (domingo)
participei de um curso em BH, o “Pedalando pelos muros”, organizado pela equipe de uma galeria de arte chamada Quarto Amado.
A proposta do curso era percorrer 14 km da cidade em cima de uma bike para conhecer uma parte da arte
urbana existente aqui.
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| Artista Amoni, local: Praça da Estação, próximo ao viaduto Santa Tereza (Fonte:arquivo pessoal) |
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| Painel pintado por diversos artistas, Local: Floresta (Fonte:arquivo pessoal) |
Fui conferir de perto a história
e o sentido do grafite em BH por vários motivos: uma amiga querida me
convidou, por amar arte, adorar bike, e atender no consultório adolescentes e jovens (e conhecer esse
universo me aproxima mais do mundo deles), então, bora lá!
Ao observar os grafites pude
perceber um pouco do que ali está expresso, o trabalho realizado demonstra o
estilo de cada artista, suas denúncias, manifestações, olhares. A artista Criola é um exemplo disso, uma jovem que
retrata em seus desenhos o gênero e a raça e ao destacar a mulher negra ela faz uma discussão social por meio do grafite
quanto a inserção dessa mulher no mundo, qual lugar é ocupado pelas mulheres negras na sociedade?, e a partir daí surgem várias outras
questões que perpassam o tema.
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| Trabalho realizado pela artista Criola (Fonte: arquivo pessoal) |
Outra imagem marcante está ao
lado do “Espaço Comum Luiz Estrela” que
é um antigo hospital da polícia militar e encontra-se abandonado, ele é
vizinho do Cepai (Centro Psíquico da Infância e Adolescência/Fhemig) no bairro
Santa Efigênia, e foi foco de várias manifestações populares que desejam
transformá-lo em um centro cultural.
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| Espaço Comum Luiz Estrela, fotos do ante e depois (Fonte: imagens google) |
O nome Luiz Estrela vem de uma homenagem a um morador de rua que vivia na
região, Luiz era dado a encenações teatrais e outras expressões artísticas, ele era uma 'estrela' conhecida por ali, apresentava um quadro de doença mental e veio a falecer.
Abaixo, temos a imagem retratada no portão do Espaço, ela inspirou a capa do CD “Camaleão Borboleta” da banda
mineira Graveola (para quem quer conhecer mais sobre a banda, olha aí a página deles: http://graveola.com.br/camaleao/).
A arte urbana nos muros é uma
forma de expressão da subjetividade humana, nela há manifestações e denúncias,
como o trabalho da artista Magrela
em parceria com Thiago Alvim e Priscila Amoni, no qual faz alusão à
tragédia de Mariana que acabou com vidas e toda a história de uma população.
Em um momento no qual São Paulo
teve uma onda de tinta cinza tomando conta da cidade e vários trabalhos foram
apagados (inclusive o maior painel a céu aberto da América Latina, que foi
pintado por mais de 200 artistas), a prefeitura de Belo Horizonte decide
fomentar um projeto (similar ao existente na gestão do prefeito anterior), no
qual incentivará a produção de grafite em painéis espalhados pela cidade, o
nome será “profeta gentileza”. Esse é um meio de estimular os artistas locais e incentivar a difusão dessa arte urbana.
Vide matérias:
Vide matérias:
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| Tirinha do "Armandinho", os grafites apagados em Sampa! (Fonte:https://www.facebook.com/tirasarmandinho/) |
O grafite é um recurso artístico muito rico (como vários outros, a música, a dança) e extremamente atrativo para jovens. Ele serve como um meio de dar voz as periferias, colocando para fora sentimentos
e ideias. Além disso, a arte urbana (como os duelos de MCs) faz com que esses jovens
apropriem-se da cidade, conhecendo novos espaços e saindo de seus territórios
de moradia.
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| O rosto de meninos pintados de palhaço do artista Nilo Zack, estão espalhados pela cidade e viraram inspiração para uma coleção do Ronaldo Fraga (a arte das ruas nas passarelas) Fonte: imagens google. |
É importante compreendermos que a
arte não é somente aquilo que conhecemos, várias são as formas de expressão artística. Criamos uma grande barreira quando olhamos para o mundo do outro, e por não fazer sentido, nos fechamos as diversas realidades. Nesse ponto, a antropologia tem muito a contribuir, ela faz com que o pesquisador “adentre
à tribo” e compreenda esse outro mundo, eis uma forma gentil de buscar
reduzir as desigualdades.
Quem sabe já é hora de fazermos o mesmo? Que possamos nos abrir ao mundo do outro, pois, “gentileza gera gentileza”!
Quem sabe já é hora de fazermos o mesmo? Que possamos nos abrir ao mundo do outro, pois, “gentileza gera gentileza”!
Abraços.
Para mais informações sobre esse
curso, acessem o site do Quarto Amado: http://www.quartoamado.com/pedalando/#curso
Obs.: esse post não seria possível sem a contribuição das queridas Taymerê Fonseca e Maíra Bittencourt, obrigada pela parceria.










Maravilha, Maíra!!! Trabalho excelente, informativo e de muita sensibilidade. Parabéns! Grande abraço.
ResponderExcluirOi Serginho!!! Que bom que gostou :) Outro abraço!!!
ResponderExcluirInteressante este seu post, que serve para nos chamar a atenção de como podemos explorar um outro lado, que muitas vezes nem paramos para olhar...
ResponderExcluirPodemos usufruir mto mais da nossa cidade e prestar mais atenção aos pequenos detalhes que nos dizem tanto né!!
Bjss
Oi, Mônica! Verdade, pequenas coisas podem estar repletas de significado. Beijos!
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