sexta-feira, 24 de fevereiro de 2017

“Trem Bala”: finitude e infinitude são complementos da vida!

O carnaval chegou (e eu amo)! Com ele vem muita alegria e diversão, mas para algumas pessoas vem também, apenas mais um momento “fugaz” e superficial.  A proposta do post de hoje é fazermos uma leitura da música “Trem Bala” (Ana Vilela) e uma analogia com o significado mais simples e profundo da vida. 

Então, vamos comigo?

No ano de 2016 a jovem Ana Vilela, nascida em Londrina/PR, passou por uma situação pessoal que lhe moveu a escrever a letra da música “Trem Bala”, gravou um vídeo no qual ela interpreta a própria canção (você pode assistir ao vídeo clicando aqui (vídeo autoral) e compartilhou com amigos via whatsapp. Esse vídeo viralizou pelas redes sociais (só no youtube foram mais de 5,5 milhões de visualizações) e a música tornou-se uma referência quando se trata de viver a vida com o que ela tem de mais significativo.

Quando ouvi a música pela primeira vez fiquei encantada com tamanha sensibilidade, e após algum tempo comecei a me perguntar, o que fez com que as pessoas se sentissem tocadas por essa letra e melodia?
   
Nesse mundo que exige ter mais do que ser mais, ouvir uma música que nos faz refletir sobre a necessidade de viver o inverso de tudo isso (ser ao invés de simplesmente ter) parece uma boa proposta.

Muitos em sua rotina diária podem se identificar com isso: corre-se contra o tempo acumulando bens e deixando as relações para o segundo plano (alguém aí se reconhece?), creio que a maioria de nós sabe e já está fatigado de manter esse ritmo desenfreado, corre para pegar o menino na escola, para arrumar a casa, para cumprir prazos no trabalho, para ser melhor diante do chefe e ‘do que’ os colegas (e assim conseguir status e um aumento), ficar até tarde no trabalho para terminar aquele afazer interminável. 

Mas, e a vida?

Qual o sentido da vida? (Fonte: imagens do google)

Suponho que seja exatamente aí onde a música nos toca. Sinto que a principal pergunta da melodia é: vale a pena tudo isso?  

“Trem Bala” descreve a importância das relações mais íntimas (amigos, família), diz de fortalecermos laços, estarmos disponíveis para que sempre tenhamos essas pessoas por perto:


“É sobre ser abrigo
E também ter morada em outros corações
E assim ter amigos contigo
Em todas as situações”



Eu carregando um dos amores de minha vida. (Arquivo pessoal)

Ela relata a necessidade de termos fé e otimismo na vida, de que estamos em um espaço infinito enquanto aqui vivemos, e ao mesmo tempo lembrar-nos que há a finitude da vida. É como o carnaval, naquele momento os dias de folia parecem infinitos, porém “todo carnaval tem seu fim”.
Parece um contrassenso eu sei, mas, enquanto há vida existe um mundo infinito para explorarmos, é disso que ela fala, mas se utilizamos o tempo vivido apenas para acumular e ter, ou para viver de modo superficial e fugaz, a vida se esvai e ‘fica para trás’, daí ela nos lembra que somos finitos, que há um tempo para se viver e propõe que vivamos com mais qualidade do que quantidade.


“É saber se sentir infinito
Num universo tão vasto e bonito
É saber sonhar”

“Também não é sobre correr
Contra o tempo pra ter sempre mais
Porque quando menos se espera
A vida já ficou pra trás”


Entre o ser e o ter, Ana também relembra um ensinamento: o aprendizado está na caminhada e não na chegada. Vivemos competindo, querendo ser melhores, concorrendo, derrubando e nos esquecendo: qual o conhecimento adquirido nesse processo? Eu cresci com ele, ou serviu apenas para acumular? As relações foram profundas ou superficiais? Quem estará comigo lendo meu epitáfio?


“Não é sobre chegar no topo do mundo
E saber que venceu
É sobre escalar e sentir
Que o caminho te fortaleceu”    


Sei que no ocidente não gostamos de falar sobre a morte, mas ela é a realização dessa finitude (finitude apenas nessa vida, para quem acredita). E aí lembrei-me de um projeto antigo que realizei na faculdade, intitulei de “Epitáfio: o bem viver, a vida saudável e a busca da felicidade”, a proposta era escrever pequenos textos (como os que publico aqui). Pedi a amigos e a familiares que respondessem a seguinte pergunta: O que você faria para ter uma vida mais plena se tivesse seu tempo contado? O que mudaria em sua vida hoje? Como faria dessa vida a melhor possível?

Recebi respostas lindas, cheias de significado, profundas e acredito que ao lembrarem-se da finitude é que essas pessoas puderam entrar em contato com a vida! Vida e morte estão lado a lado, não como algo funesto e terrível, mas como ciclos naturais do viver.



 A beleza da vida está em descobri-la em cada momento simples, porém profundo. (imagens: arquivo pessoal)

Por fim, deixo uma das respostas que recebi sobre minha pergunta (do Epitáfio) e na sequência a letra de ‘Trem Bala’.

Beijos, bom carnaval e lembrem-se, “a gente é só passageiro prestes a partir”...


“Bom, eu passaria mais tempo com as pessoas que eu amo, pois esta é a minha maior dificuldade hoje: conciliar trabalho x família x formação.

Mudar: eu tentaria ser menos ansiosa, pois isto faria com que eu vivesse cada momento, seja ele bom ou ruim (uma vez que nem tudo são flores) de maneira mais serena, aproveitando a vida mais plenamente e menos sofrida.

Diria mais “eu te amo”, seguiria a máxima de Renato Russo: ‘É preciso amar as pessoas como se não houvesse amanhã, porque se você parar pra pensar... na verdade não há’”. (M.N.)


Trem Bala (Ana Vilela)

Não é sobre ter
Todas as pessoas do mundo pra si

É sobre saber que em algum lugar
Alguém zela por ti
É sobre cantar e poder escutar
Mais do que a própria voz
É sobre dançar na chuva de vida
Que cai sobre nós

É saber se sentir infinito
Num universo tão vasto e bonito
É saber sonhar
E, então, fazer valer a pena cada verso
Daquele poema sobre acreditar

Não é sobre chegar no topo do mundo
E saber que venceu
É sobre escalar e sentir
Que o caminho te fortaleceu
É sobre ser abrigo
E também ter morada em outros corações
E assim ter amigos contigo
Em todas as situações 

A gente não pode ter tudo
Qual seria a graça do mundo se fosse assim?
Por isso, eu prefiro sorrisos
E os presentes que a vida trouxe
Pra perto de mim

Não é sobre tudo que o seu dinheiro
É capaz de comprar
E sim sobre cada momento
Sorriso a se compartilhar
Também não é sobre correr
Contra o tempo pra ter sempre mais
Porque quando menos se espera
A vida já ficou pra trás

Segura teu filho no colo
Sorria e abraça Seus pais
Enquanto estão aqui
Que a vida é trem-bala, parceiro
E a gente é só passageiro prestes a partir

Laiá, laiá, laiá, laiá, laiá
Laiá, laiá, laiá, laiá, laiá

Segura teu filho no colo
Sorria e abraça teus pais
Enquanto estão aqui
Que a vida é trem-bala, parceiro
E a gente é só passageiro prestes a partir 


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