sexta-feira, 24 de fevereiro de 2017

“Trem Bala”: finitude e infinitude são complementos da vida!

O carnaval chegou (e eu amo)! Com ele vem muita alegria e diversão, mas para algumas pessoas vem também, apenas mais um momento “fugaz” e superficial.  A proposta do post de hoje é fazermos uma leitura da música “Trem Bala” (Ana Vilela) e uma analogia com o significado mais simples e profundo da vida. 

Então, vamos comigo?

No ano de 2016 a jovem Ana Vilela, nascida em Londrina/PR, passou por uma situação pessoal que lhe moveu a escrever a letra da música “Trem Bala”, gravou um vídeo no qual ela interpreta a própria canção (você pode assistir ao vídeo clicando aqui (vídeo autoral) e compartilhou com amigos via whatsapp. Esse vídeo viralizou pelas redes sociais (só no youtube foram mais de 5,5 milhões de visualizações) e a música tornou-se uma referência quando se trata de viver a vida com o que ela tem de mais significativo.

Quando ouvi a música pela primeira vez fiquei encantada com tamanha sensibilidade, e após algum tempo comecei a me perguntar, o que fez com que as pessoas se sentissem tocadas por essa letra e melodia?
   
Nesse mundo que exige ter mais do que ser mais, ouvir uma música que nos faz refletir sobre a necessidade de viver o inverso de tudo isso (ser ao invés de simplesmente ter) parece uma boa proposta.

Muitos em sua rotina diária podem se identificar com isso: corre-se contra o tempo acumulando bens e deixando as relações para o segundo plano (alguém aí se reconhece?), creio que a maioria de nós sabe e já está fatigado de manter esse ritmo desenfreado, corre para pegar o menino na escola, para arrumar a casa, para cumprir prazos no trabalho, para ser melhor diante do chefe e ‘do que’ os colegas (e assim conseguir status e um aumento), ficar até tarde no trabalho para terminar aquele afazer interminável. 

Mas, e a vida?

Qual o sentido da vida? (Fonte: imagens do google)

Suponho que seja exatamente aí onde a música nos toca. Sinto que a principal pergunta da melodia é: vale a pena tudo isso?  

“Trem Bala” descreve a importância das relações mais íntimas (amigos, família), diz de fortalecermos laços, estarmos disponíveis para que sempre tenhamos essas pessoas por perto:


“É sobre ser abrigo
E também ter morada em outros corações
E assim ter amigos contigo
Em todas as situações”



Eu carregando um dos amores de minha vida. (Arquivo pessoal)

Ela relata a necessidade de termos fé e otimismo na vida, de que estamos em um espaço infinito enquanto aqui vivemos, e ao mesmo tempo lembrar-nos que há a finitude da vida. É como o carnaval, naquele momento os dias de folia parecem infinitos, porém “todo carnaval tem seu fim”.
Parece um contrassenso eu sei, mas, enquanto há vida existe um mundo infinito para explorarmos, é disso que ela fala, mas se utilizamos o tempo vivido apenas para acumular e ter, ou para viver de modo superficial e fugaz, a vida se esvai e ‘fica para trás’, daí ela nos lembra que somos finitos, que há um tempo para se viver e propõe que vivamos com mais qualidade do que quantidade.


“É saber se sentir infinito
Num universo tão vasto e bonito
É saber sonhar”

“Também não é sobre correr
Contra o tempo pra ter sempre mais
Porque quando menos se espera
A vida já ficou pra trás”


Entre o ser e o ter, Ana também relembra um ensinamento: o aprendizado está na caminhada e não na chegada. Vivemos competindo, querendo ser melhores, concorrendo, derrubando e nos esquecendo: qual o conhecimento adquirido nesse processo? Eu cresci com ele, ou serviu apenas para acumular? As relações foram profundas ou superficiais? Quem estará comigo lendo meu epitáfio?


“Não é sobre chegar no topo do mundo
E saber que venceu
É sobre escalar e sentir
Que o caminho te fortaleceu”    


Sei que no ocidente não gostamos de falar sobre a morte, mas ela é a realização dessa finitude (finitude apenas nessa vida, para quem acredita). E aí lembrei-me de um projeto antigo que realizei na faculdade, intitulei de “Epitáfio: o bem viver, a vida saudável e a busca da felicidade”, a proposta era escrever pequenos textos (como os que publico aqui). Pedi a amigos e a familiares que respondessem a seguinte pergunta: O que você faria para ter uma vida mais plena se tivesse seu tempo contado? O que mudaria em sua vida hoje? Como faria dessa vida a melhor possível?

Recebi respostas lindas, cheias de significado, profundas e acredito que ao lembrarem-se da finitude é que essas pessoas puderam entrar em contato com a vida! Vida e morte estão lado a lado, não como algo funesto e terrível, mas como ciclos naturais do viver.



 A beleza da vida está em descobri-la em cada momento simples, porém profundo. (imagens: arquivo pessoal)

Por fim, deixo uma das respostas que recebi sobre minha pergunta (do Epitáfio) e na sequência a letra de ‘Trem Bala’.

Beijos, bom carnaval e lembrem-se, “a gente é só passageiro prestes a partir”...


“Bom, eu passaria mais tempo com as pessoas que eu amo, pois esta é a minha maior dificuldade hoje: conciliar trabalho x família x formação.

Mudar: eu tentaria ser menos ansiosa, pois isto faria com que eu vivesse cada momento, seja ele bom ou ruim (uma vez que nem tudo são flores) de maneira mais serena, aproveitando a vida mais plenamente e menos sofrida.

Diria mais “eu te amo”, seguiria a máxima de Renato Russo: ‘É preciso amar as pessoas como se não houvesse amanhã, porque se você parar pra pensar... na verdade não há’”. (M.N.)


Trem Bala (Ana Vilela)

Não é sobre ter
Todas as pessoas do mundo pra si

É sobre saber que em algum lugar
Alguém zela por ti
É sobre cantar e poder escutar
Mais do que a própria voz
É sobre dançar na chuva de vida
Que cai sobre nós

É saber se sentir infinito
Num universo tão vasto e bonito
É saber sonhar
E, então, fazer valer a pena cada verso
Daquele poema sobre acreditar

Não é sobre chegar no topo do mundo
E saber que venceu
É sobre escalar e sentir
Que o caminho te fortaleceu
É sobre ser abrigo
E também ter morada em outros corações
E assim ter amigos contigo
Em todas as situações 

A gente não pode ter tudo
Qual seria a graça do mundo se fosse assim?
Por isso, eu prefiro sorrisos
E os presentes que a vida trouxe
Pra perto de mim

Não é sobre tudo que o seu dinheiro
É capaz de comprar
E sim sobre cada momento
Sorriso a se compartilhar
Também não é sobre correr
Contra o tempo pra ter sempre mais
Porque quando menos se espera
A vida já ficou pra trás

Segura teu filho no colo
Sorria e abraça Seus pais
Enquanto estão aqui
Que a vida é trem-bala, parceiro
E a gente é só passageiro prestes a partir

Laiá, laiá, laiá, laiá, laiá
Laiá, laiá, laiá, laiá, laiá

Segura teu filho no colo
Sorria e abraça teus pais
Enquanto estão aqui
Que a vida é trem-bala, parceiro
E a gente é só passageiro prestes a partir 


domingo, 12 de fevereiro de 2017

A vida é feita de mudanças, de impermanência...

Pensar que algo na vida está sob nosso controle é tão tolo quanto querer “secar gelo”. O processo de mudança é inevitável, seja ele de ideia, biológico ou de desejo. Podemos nos valer do conceito de impermanência para nos auxiliar no exercício do desapego, já que ele nos remete ao fato de que tudo está em constante mudança e que não há um pleno controle sob os acontecimentos da vida. 

A transformação da lagarta em borboleta é um exemplo de impermanência da vida

Recentemente conversava com uma senhora de 75 anos que relatou detestar a velhice. Ela é uma mulher autônoma que prática atividades físicas regulares, viaja constantemente, mas sente-se infeliz por não conseguir aceitar as mudanças cronológicas em seu corpo, “o corpo já não responde mais como antes” ela me dizia, e de fato, com o passar dos anos o organismo torna-se outro, demandando da pessoa mudanças comportamentais que sejam condizentes com esse ciclo, além da necessidade de atualização de sua autoimagem para conseguir (de modo saudável) acompanhar esse novo momento da vida. 

No livro “O amor nos tempos do cólera” de Gabriel Garcia Marquez, Firmina Darza e Florentino Ariza, amam-se desde a juventude, mas por diversos motivos não puderam estar juntos, após anos (já na velhice) reencontram-se tendo a oportunidade de viverem esse amor. Nessa altura da vida eles já não têm deslumbramentos de adolescentes, há uma consciência de que seus corpos modificaram-se significativamente ao longo dos anos, no entanto, o desejo existente na juventude permaneceu vivo. 

Capa do Livro: O amor nos tempos do cólera de Gabriel Garcia Marquez (Fonte: imagens google)


Creio que esse seja o ponto, nossa mente é quem (em geral) dita as regras para se ter uma vida saudável e congruente, e compreender o processo de impermanência pode auxiliar (e muito) nessa etapa, na qual o tempo pode ser um aliado ou um vilão, cabendo a cada um de nós a escolha de qual papel ele ocupará.

No ocidente as pessoas são criadas para pensar que mudar significa descartar o que é velho, gerando a necessidade de se ter algo novo, haja vista, o consumo desenfreado e a volatividade das relações afetivas. Desse modo, associa-se o termo mudança com o que é novo e jovem, aumentando assim a dificuldade de aceitação e compreensão de que: nada e ninguém permanecerá eternamente do mesmo modo.

Hoje temos “velhos-jovens” de 50, 60 anos que vivem de modo inconsequente e desmedido, sem absorverem da vida o seu aprendizado, deixando as futuras gerações 'orfãs' de conselhos e ponderações. Não me entendam mal, fato é que de nada adianta envelhecer e ficar escondido dentro de casa (vejam o vídeo abaixo) essa não é a solução, porém, qual o sentido de se viver longos anos sem alcançar os ensinamentos que a vida pode proporcionar?

Propaganda de uma empresa de telefonia: "perigoso mesmo é ervilha!"


Outro livro que aborda (indiretamente) o tema da impermanência e da importância de compreendermos que cada ciclo de vida tem sua beleza, é o “A ciranda das mulheres sábias” da mesma autora de 'Mulheres que correm com os lobos': Clarissa Pinkola Estés. Livro fininho e de fácil leitura, diz da importância da troca entre diferentes gerações, de reunirem-se para compartilhar o que têm em abundância conforme o tempo vivido, sendo a energia da juventude ou a sabedoria da velhice. “Ser jovem enquanto velha, velha enquanto jovem”, é o subtítulo do livro e bastante sugestivo, não acham? Ele quer dizer que não há um movimento de exclusão entre o novo e o antigo, eles são complementares!


Capa do livro: A ciranda das mulheres sábias de Clarissa Pinkola Estés (Fonte: imagens google)

Acredito que impermanência, consciência de si e aceitação andam de mãos dadas e podem ser boas escolhas para quem deseja envelhecer com lucidez e sabedoria (seja ainda jovem, ou para quem já alcançou a velhice), caso contrário, de que nos serve envelhecer?

Por fim, deixo uma frase atribuída ao filósofo Heráclito:
                                            
                 "nada é permanente, exceto a mudança"...

Então, que estejamos disponíveis para as mudanças que a vida nos reserva. 

Beijos para tod@s!

sexta-feira, 3 de fevereiro de 2017

Gentileza gera gentileza: a arte urbana que reduz desigualdades

Oi gente! Tudo bem?!

Hoje vou escrever sobre o grafite e sua contribuição para reduzir as desigualdades sociais.  

No dia 22/01/17 (domingo) participei de um curso em BH, o “Pedalando pelos muros”, organizado pela equipe de uma galeria de arte chamada Quarto Amado. A proposta do curso era percorrer 14 km da cidade em cima de uma bike para conhecer uma parte da arte urbana existente aqui.

Artista Amoni, local: Praça da Estação, próximo ao viaduto Santa Tereza
 (Fonte:arquivo pessoal)

Painel pintado por diversos artistas, Local: Floresta (Fonte:arquivo pessoal)

Fui conferir de perto a história e o sentido do grafite em BH por vários motivos: uma amiga querida me convidou, por amar arte, adorar bike, e atender no consultório adolescentes e jovens (e conhecer esse universo me aproxima mais do mundo deles), então, bora lá!

Ao observar os grafites pude perceber um pouco do que ali está expresso, o trabalho realizado demonstra o estilo de cada artista, suas denúncias, manifestações, olhares. A artista Criola é um exemplo disso, uma jovem que retrata em seus desenhos o gênero e a raça e ao destacar a mulher negra ela faz uma discussão social por meio do grafite quanto a inserção dessa mulher no mundo, qual lugar é ocupado pelas mulheres negras na sociedade?, e a partir daí surgem várias outras questões que perpassam o tema.


Trabalho realizado pela artista Criola (Fonte: arquivo pessoal)

Outra imagem marcante está ao lado do “Espaço Comum Luiz Estrela” que é um antigo hospital da polícia militar e encontra-se abandonado, ele é vizinho do Cepai (Centro Psíquico da Infância e Adolescência/Fhemig) no bairro Santa Efigênia, e foi foco de várias manifestações populares que desejam transformá-lo em um centro cultural


Espaço Comum Luiz Estrela, fotos do ante e depois (Fonte: imagens google)

O nome Luiz Estrela vem de uma homenagem a um morador de rua que vivia na região, Luiz era dado a encenações teatrais e outras expressões artísticas, ele era uma 'estrela' conhecida por ali, apresentava um quadro de doença mental e veio a falecer. 

Abaixo, temos a imagem retratada no portão do Espaço, ela inspirou a capa do CD “Camaleão Borboleta” da banda mineira Graveola (para quem quer conhecer mais sobre a banda, olha aí a página deles: http://graveola.com.br/camaleao/).  


 
Grafite no portão do “Espaço Comum Luiz Estrela” (Fonte:arquivo pessoal)

A arte urbana nos muros é uma forma de expressão da subjetividade humana, nela há manifestações e denúncias, como o trabalho da artista Magrela em parceria com Thiago Alvim e Priscila Amoni, no qual faz alusão à tragédia de Mariana que acabou com vidas e toda a história de uma população.

A mulher (a esq.) tem em sua cabeça um barco, sua cor marrom (cor de terra)  insinua a lama que inundou Bento Rodrigues (tragédia de Mariana). Grafite de Magrela, Thiago A. e Priscila A. (Fonte: site Quarto Amado)


Em um momento no qual São Paulo teve uma onda de tinta cinza tomando conta da cidade e vários trabalhos foram apagados (inclusive o maior painel a céu aberto da América Latina, que foi pintado por mais de 200 artistas), a prefeitura de Belo Horizonte decide fomentar um projeto (similar ao existente na gestão do prefeito anterior), no qual incentivará a produção de grafite em painéis espalhados pela cidade, o nome será “profeta gentileza”. Esse é um meio de estimular os artistas locais e incentivar a difusão dessa arte urbana.
Vide matérias:



 Tirinha do "Armandinho",  os grafites apagados em Sampa!
(Fonte:https://www.facebook.com/tirasarmandinho/)

O grafite é um recurso artístico muito rico (como vários outros, a música, a dança) e extremamente atrativo para jovens. Ele serve como um meio de dar voz as periferias, colocando para fora sentimentos e ideias. Além disso, a arte urbana (como os duelos de MCs) faz com que esses jovens apropriem-se da cidade, conhecendo novos espaços e saindo de seus territórios de moradia.

O rosto de meninos pintados de palhaço do artista
Nilo Zack, estão espalhados pela cidade e viraram
inspiração para uma coleção do
Ronaldo Fraga
(a arte das ruas nas passarelas)
Fonte: imagens google.


É importante compreendermos que a arte não é somente aquilo que conhecemos, várias são as formas de expressão artística. Criamos uma grande barreira quando olhamos para o mundo do outro, e por não fazer sentido, nos fechamos as diversas realidades. Nesse ponto, a antropologia tem muito a contribuir, ela faz com que o pesquisador “adentre à tribo” e compreenda esse outro mundo, eis uma forma gentil de buscar reduzir as desigualdades.

Quem sabe já é hora de fazermos o mesmo? Que possamos nos abrir ao mundo do outro, pois, “gentileza gera gentileza”!

Abraços.   
 

Para mais informações sobre esse curso, acessem o site do Quarto Amado: http://www.quartoamado.com/pedalando/#curso

Obs.: esse post não seria possível sem a contribuição das queridas Taymerê Fonseca e Maíra Bittencourt, obrigada pela parceria. 

quinta-feira, 26 de janeiro de 2017

Uso e prescrição excessiva de medicamentos, existem outras saídas?

Olá para tod@s!

Neste post vou falar sobre o uso indiscriminado de medicamentos, além de alternativas e complementos a esse tipo de tratamento. Para ilustrar utilizarei três casos e abordarei duas perguntas centrais: medicamento serve para quê? e existem outras formas de tratamento? 

Então, vamos lá!

Medicamento serve para quê?

Os medicamentos geram alívio dos sintomas, curam e previnem doenças e auxiliam nos mais diferentes diagnósticos[1]. É importante ressaltar que medicamentos são diferentes de remédios, já que, os medicamentos são (grosso modo) aqueles produtos que compramos em farmácias; já os remédios são as várias formas de se cuidar ou aliviar dores e desconfortos, como chás, banhos relaxantes, atividades físicas, e outros, esses remédios são comumente chamados de ‘terapias alternativas’. 

Para os adeptos da meditação, acredita-se que ela
auxilia no autoconhecimento e harmonização
(Fonte: imagens google)
Uma das propriedade do
Chá de Camomila é ser calmante
(Fonte: imagens google)




















A partir das terapias alternativas já conseguimos responder a segunda pergunta,

Existem outras formas de tratamento?

A cultura brasileira é receptiva ao tratamento por meio de  terapias alternativas, no SUS existe desde 2006 as práticas integrativas e complementares (Portaria nº 971, de 3 de maio de 2006), que são formas de se curar e melhorar a saúde da população, como acupuntura, homeopatia, fitoterapia, antroposofia e o termalismo social-crenoterapia (aqueles banhos em águas curativas), e em janeiro de 2017 esse time foi engrossado por mais práticas como meditação, reiki, musicoterapia e outros.

Terapias Integrativas e Complementares oferecidas pelo hospital Sofia Feldman/BH (Fonte:http://www.sofiafeldman.org.br/atencao-a-mulher/nt-integrativas/)

Mas, se já existe no SUS uma diretriz sobre outras formas de tratamento além do medicamentoso, por que usa-se e prescreve-se tantas drogas de maneira crônica?

No contexto médico, o profissional segue protocolos (normas de prescrição), no entanto, se não houver uma escuta cuidadosa podem ocorrer excessos, assim, caso fique preso a processos institucionais ou profissionais, de modo rígido, acabará esquecendo-se do ser humano a sua frente, deixando de contribuir para uma melhora integral do paciente.


Saúde integral está relacionada a diferentes fatores (Fonte: imagens google)
Aos 18 anos eu me encontrava cheia de dúvidas sobre trabalho, vestibular, família; estava em meu primeiro emprego (que tornou-se incompatível com meu horário de estudo) e vivia angustiada. Então, comecei a ter sintomas de labirintite, chorava à toa e apresentei dificuldades para dormir.  Fiz exames e não havia problemas com meu labirinto, a constatação foi – “é emocional”.

Procurei um psiquiatra para me orientar, o profissional ouviu meu relato e em menos de 15 minutos eu estava fora de seu consultório com uma receita de fluoxetina nas mãos. Era uma jovem dizendo que algo em sua vida não ia bem; ele não sugeriu outro método terapêutico (ainda que em conjunto), apenas prescreveu. Saí de lá e chorei mais ainda, sentindo que ele não me ouviu. Aquilo não fazia sentido para mim, rasquei a receita, iniciei acompanhamento psicológico, arrumei outro trabalho, e as coisas fluíram!

Escutar é uma arte! (Fonte: imagens do google)

Esse é um exemplo clássico de um profissional que não estava disponível para seu paciente, ele estava a serviço da doença e não da cura, já que a cura ou a melhora do estado clínico está em compreender o mundo da pessoa que busca ajuda, sua história de vida, seus medos, seus anseios e uma escuta apurada faz toda diferença. Em contra ponto, há profissionais cuidadosos, que podem prescrever medicamentos que auxiliam no desempenho das funções neuroquímicas, como vamos ver a seguir. 

Uma cliente me procurou por apresentar uma depressão crônica (há uns 15 anos), ela fazia uso de medicamentos controlados, mas percebeu que somente isso não solucionava o problema. 
  
Em psicoterapia descobrimos que ela sempre aceitou as escolhas dos outros, e isso ditou boa parte de suas escolhas, ou seja, ela não vivia a própria vida. Não havia conexão com quem ela era e consequentemente com o que ela desejava fazer, isso chegou a tal ponto que gerou o adoecimento mental.

Para sua melhora, ela intensificou suas meditações, buscou pequenos momentos de prazer na vida (música, exercícios físicos) e a cada sessão, eis que ela surgia mais fortalecida, encarando suas dores de frente, inteira e entregue a quem ela realmente era. Como as águas de um rio, essa mulher fluía...

Naquele momento ela não usava o medicamento como uma muleta, ele era necessário para que ela pudesse reduzir tantas falas internas e conseguisse se encontrar. E isso só foi possível (dentre outros fatores) por ela estar disposta e inteira nesse processo.

A imagem descreve, "tudo me serve, nada se perde, eu o transformo".
São esses o passos de mudança, há aprendizado em tudo! (Fonte: imagens google)

Outro caso é de um familiar que passou por três episódios de depressão, sendo um candidato (provável) de medicação para o resto da vida. Foram anos de medicamentos (sem outros recursos terapêuticos envolvidos), até o momento em que a pessoa deu início a psicoterapia, passou a se relacionar mais com os amigos, revitalizou sua fé (isso era importante para ela) e produziu mudanças significativas em seu modo de encarar a vida.

Hoje não apresenta mais um quadro depressivo, e não utiliza mais medicamentos. Todo esse processo foi acompanhado de perto por seu psiquiatra (um profissional sensato e cuidadoso) que no momento certo decidiu pela retirada dos medicamentos. 

Quando há um profissional engajado e que acredita na melhora integral da pessoa, o tratamento tem  maior chance de êxito.

Exercícios grupais (Fonte: imagens do google)
Medicina oriental (Fonte: imagens do google)


Reiki aplicado por crianças (Fonte: http://portalfloresnoar.com/floresnoar/curso-de-reiki-para-criancas-dia-11-de-outubro-gerar/)

Desse modo, os medicamentos estão aí para serem utilizados, mas de forma sensata. Eles podem (e devem) fazer parte de uma rede de saúde integral, não vale o ‘medicamento, pelo medicamento’, ou então, ele vai tamponar algo que, quando menos se espera ressurge.

Assim, se você faz uso de medicamentos controlados (ainda que hipertensivos) busque recursos complementares, como atividades físicas, psicoterapia, florais, acupuntura, homeopatia, sair com os amigos, plantar uma árvore, faça sua escolha! 

É importante lembrarmos que o que faz diferença em qualquer tratamento, seja ele medicamentoso ou não, é a participação efetiva do paciente (ou cliente). O mundo só muda, quando você muda!

Detentos de Rondônia que participaram de um projeto com terapias alternativas.

Apesar de não ser o foco, fiz questão de colocar essa imagem para pensarmos: "Será que esses métodos não reduziriam chacinas e rebeliões em presídios?", vale a reflexão.
(Fonte: https://milenar.org/2014/12/04/terapias-alternativas-mudam-rotina-de-presos-em-rondonia/)




[1] Extraído de: O que devemos saber sobre medicamentos, ANVISA (Agência Nacional de Vigilância Sanitária), 2010. 

sábado, 21 de janeiro de 2017

Viajando por Minas Gerais – aprecie a vida

Olá pessoal!!! Como vão?!

No post dessa semana vou falar sobre um lugar para se conhecer em Minas Gerais.

Ah! Não me esqueci da postagem sobre as hamburguerias gourmet ou artesanais, mas preciso de uns dias para passar pelas três que indicarei, creio que irão gostar, então, aguardem!!!

Vou começar contextualizando sobre meu perfil mochileiro, rsrs. Viagens são uma das minha paixões! Fiz um levantamento e percebi que conheço 7 estados do Brasil e pouco mais de 65 cidades. Parando para analisar, Minas Gerais tem 853 municípios, assim não é tão difícil conhecer esse número de cidades, não é mesmo? Mais ou menos, já que contabilizei apenas as cidades que eu realmente conheci, as que visite algum ponto turístico e posso responder a quatro perguntas básicas:
“O que marcou na viagem?”, “Moraria na cidade?”, “É um lugar para se envelhecer?” e “Voltaria à cidade?”.

Então, pensando nesses critérios selecionei uma cidade que tem vários mistérios, inclusive é considerada por algumas pessoas como um dos 7 pontos energéticos do mundo, trata-se de: São Thomé das Letras. Ela está localizada a pouco mais de 300km de Belo Horizonte, na Serra da Mantiqueira, próximo a Três Corações, a Carrancas, a Varginha.


Arquivo pessoal

Muitos já ouviram falar do município de São Thomé das Letras/MG, mas, estar em São Thomé é viver em um universo paralelo! Dentre suas histórias acredita-se que uma de suas cavernas dá acesso à cidade de Machu Picchu no Peru. Essa crença de ser ela ‘mágica e mística’ reúne na cidade um público bem específico (incluindo a mim que já estive lá!), vê-se jovens estudantes a passeio, pessoas maduras que decidiram “mudar de vida”, famílias com crianças e todos convivendo tranquilamente. Cada um no seu ritmo e escolhendo seus programas!



Machu Picchu/ Peru (Fonte: imagens google)

A cidade é lembrada por suas Pedras (o quartzito), pelos hippies, pelas cachoeiras e claro pelo cantor Ventania (que já deu entrevista até no Jô Soares), ele é a figura mais famosa da cidade, é um patrimônio de São Thomé!


Ventania no programa do Jô (Fonte: imagens do google)

Andar pelas ruas de São Tomé é se perder em uma mistura de cheiros, cores e gente diferente. Em suas lojas muito incenso, chapéu de bruxa, doces tipo compota e artesanatos, especialmente as réplicas das casas feitas de quartzito.

Quartzito (Fonte: imagens google)
A visita as cachoeira pode ser um desafio para quem vai a pé! Eu que o diga! Quando estive lá, peguei uma trilha que deveria ser de 3km e acabou virando 10km!!! O que salvou foi (o preparo físico, hehehe) e um casal que passou pela estrada e ofereceu carona até a cachoeira. Que lindos!

Sobre as cachoeiras, vale dizer que em dias muito quentes, elas costumam ficar cheias, por isso é bom ir cedo! A cidade tem no mínimo 6 opções e conheci três delas, a cachoeira Antares (pouco mais de 10km da cidade), a cachoeira da Lua e do Flávio. A cachoeira Vale das Borboletas fica bem na entrada da cidade, mas no dia que fui estava tarde e já tinha muita gente (desisti).

Cachoeira Antares (arquivo pessoal)
Eu na aventura da trilha de 10 km




















Ao entardecer ocorre um fenômeno! As pessoas sobem até o mirante (o ponto mais alto da cidade) para assistir ao pôr do sol, mas não é só isso! Tem uma espécie de reverência a esse entardecer e a plateia aplaude o sol que está se pondo. (Vejam o vídeo)


Esperando o momento do pôr do sol (arquivo pessoal)



No dia que fui ao mirante havia um casal paulista tocando blues e às 18 horas a Matriz da cidade começou a tocar a ‘Ave Maria’, além das pessoas aplaudindo o pôr do sol, tudo junto e misturado! - foi um fenômeno!!!


Mas, São Tomé não são só flores! A extração de pedras muda consideravelmente a paisagem da cidade, vê-se montanhas de restos de quartzito logo na entrada (uma pena). Além disso, a acessibilidade para pessoas com mobilidade reduzida não me pareceu o forte de São Thomé, senti falta desse tipo de estrutura.

A noite, há bares e restaurantes abertos, tem para tudo que é gosto, rock, lugares para dançar forró, reggae! Em geral são lugares simples e com preços bem acessíveis! Caso visitem a cidade no inverno, levem agasalho, como a cidade está em uma altitude considerável (cerca de 1440 metros), ao entardecer costuma esfriar.

Olhando e conversando com as pessoas que vão morar em São Thomé das Letras, percebe-se que, em geral, elas buscam maior contato com a natureza e parecem ser da filosofia “menos é mais”.

Sob esse olhar, encerrarei esse post fazendo outra sugestão de filme (isso mesmo!), Capitão Fantástico é o nome. O enredo é o seguinte, um homem que cria seus filhos em pleno contato com a natureza, descobre que sua esposa faleceu e vai para a cidade. Seus valores (e de seus filhos) são colocados a prova, sua forma de vida e de educação são questionados. Fiquei pensado: -"mas existe modelo ou fórmula para se criar filhos?! O que é o certo ou errado em uma família?".

Há excessos no filme? (deixarei que tirem suas conclusões). Para mim ele é repleto de aprendizado, parece que cada cena é um modo diferente de ensinar a viver, a respeitar as especificidades dos filhos, a compreender quando recuar, mostra-nos que incentivo, afeto e firmeza andam lado a lado. Confesso que saí do cinema extasiada!!! Uma das cenas mais marcante é quando o pai "Ben" (Viggo Mortensen) e seus seis filhos interpretam a música Sweet Child O’Mine do Guns N’Roses, lindo de viver!

Vocês podem estar se perguntando, e o que isso tem a ver com São Thomé das Letras, um modo de vida alternativo e a natureza? Assistam ao filme e me dirão!


No mais, desejo sinceramente, como diz Ben, que possamos apreciar a vida, ela passa rápido demais!!!


Beijos no coração e até o próximo post!!!